sexta-feira, 29 de junho de 2007

a verdadeira beleza

















Eu no show do Zeca Baleiro.

Se ela se penteia eu não sei

Se ela usa maquilagem eu não sei

Se aquela mulher é vaidosa, eu não sei,

Eu não sei, eu não sei...

Vem você me dizer que vai a um salão de beleza

Fazer permanente, massagem, rinsagem,

Reflexo e outras cositas más

Baby você não precisa de um salão de beleza

Há menos beleza num salão de beleza

A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão

Mundo velho e decadente mundo

Ainda não aprendeu a admirar a beleza

A verdadeira beleza

A beleza que põe mesa

E que deita na cama

A beleza de quem come

A beleza de quem ama

A beleza do erro puro do engano da imperfeição

Belle belle como Linda Envangelista

Linda Linda como Isabelle Adjani

Veja como vem, Veja bem, Veja como vem, Vai, vai, vem, Veja bem, como vai,vem.

Ai, bela morena, ai, morena bela...

Quem foi que te fez tão formosa?

És mais linda que a rosa debruçada na janela.


Essa música do Zeca Baleiro traz um pouco do sentimento que atualmente incomoda a maioria das mulheres e homens que refletem sobre suas próprias liberdades. Quem não se sente (pelo menos um pouco) escravo (a) da beleza? Quem não gostaria de decidir sobre o rumo da balança? É claro que o limite para essas escolhas seria a nossa saúde, mas sabemos que a ditadura da magreza, da beleza, hoje nada tem a ver com saúde.
Cada vez mais somos escravos de padrões, conceitos pré-estabelecidos pelo sistema consumista (capitalista). Não só as mercadorias, mas as relações interpessoais estão completamente fetichizadas. Isso significa dizer que as pessoas estão cada vez mais distantes do que realmente são, devido a uma insana procura de serem aquilo que a sociedade definiu como "correto". Em função desse movimento estão praticamente todas as ciências...
Que todos sofremos com isso, não restam dúvidas. COMO MUDAR? Como fazer diferente? Darei algumas idéias, que, seguramente, não esgotam o assunto, mas conto com vossas opiniões para complementá-las:

- Temos que começar fazendo uma coisa que já saiu de moda: amar aquilo que somos. todas as mulheres (e agora, os homens) são bombardeadas intensamente com imagens de corpos "perfeitos" (completamente trabalhados em programas digitais para retirar defeitos), daí, é natural surgir a cobrança individual e silenciosa para "melhorar" aquilo que somos. Será que realmente temos que mudar? Será que tais imagens realmente representam o "ideal" de beleza? Até onde sei, não existem pessoas iguais, logo, como poderíamos ter um padrão de beleza? CADA PESSOA É LINDA COMO É.


- Um segundo passo interessante seria evitarmos o consumo dos produtos que veiculam esse "padrão". Se não concordamos com a proposta que é vendida, devemos evitar, ao máximo, estimular a produção daqueles itens.


- Desligue-se. Soa estranho, mas relaxe. Pare de olhar as revistas e propagandas que te forçam a pensar "como estou longe disso...", "como sou feia...".

- Assim como você espera que as outras pessoas vejam a sua REAL BELEZA, veja nelas a beleza também. OLHE PARA O QUE HÁ DE ESPECIAL EM CADA SER. Somente quando mudarmos nossos olhos, mudaremos o mundo.


- E, finalmente, converse com as pessoas que estão próximas e proponha que cada uma delas "quebre" as suas "correntes". Vamos pensar um mundo juntos(as) onde possamos encontrar a beleza nos sorrisos e nas verdades de cada um(a).

1 comentários:

Henrique disse...

Ah Luz... sobre isso eu não posso deixar de comentar... Concordo plenamente com a forma que o problema é apresentado... Mas o que me incomoda realmente são as insistentes ponderações... do tipo... “Mas quem não gosta de se sentir belo(a)”?, “quem não gosta de sair bem na foto”, etc... Todos somos escravos da beleza, em maior ou menor grau... infelizmente. O conflito beleza X demais valores pessoais parece impossível de ser solucionado, mas quer saber?! Sou otimista em relação a isso... (calma, não tão otimista a ponto de achar que o aquecimento global será compensado pelo inverno nuclear! :))) Mas se vc se ligar no mundo das artes... verá que isso é possível, ou melhor, é fato... Já observou como o belo e o artístico há muito tempo se "divorciaram"? E que em nenhuma forma de expressão artística a beleza se sobrepõe ao refinamento da técnica? Pois bem... Acho que é por aí... Eu sonho em poder olhar alguém e enxergar “apenas” os seus valores mais importantes... Mas é difícil... Muito mais difícil do que parar de tomar refrigerante... ou de comer carne rsrsrs... questão complexa... Envolve o pecado-maior da vaidade... que por sua vez nos envolve :)))

Felizes são as espécies que elegem a força, o tamanho, a agilidade como valores fundamentais... Felizes pq dessa forma não há margem para incertezas, há apenas a objetividade... Não há aquela angústia do tipo: “será que sou, será que não sou?”... Ou é mais forte, ou não... Cada um desses indivíduos “menos” evoluídos têm a consciência exata do que representa para a coletividade... pq será que para nós, autodenominados seres superiores, há a preponderância de um valor tão subjetivo e volátil como, no caso, a beleza?! Não estariam contidas nesse dualismo cruel a nossa glória e a nossa perdição? Pobres de nós seres desafortunados cuja vaidade de uns alimenta a inveja de outros, onde o acúmulo de riquezas ou de “valores” por poucos se sustenta na pobreza e na “inferioridade” de uma massa que insiste em consumir e idolatrar semideuses fabricados... Convenções estúpidas! Unanimidade irremediavelmente burra! Concordo também com a sua solução... A única forma de quebrarmos esse ciclo perverso será incluir-nos fora disso! E se possível levar ao menos uma meia dúzia com vc ! :))))